3 Vagas Abertas… Até Ele Me Ver.

  A Realidade do Etarismo e o Que Empresas e Profissionais 50+ Precisam Rever.


Uma loja de shopping, três vagas abertas, um currículo na mão. Era tudo que eu precisava para me colocar na pele de quem busca emprego depois dos 50. E, naquele dia, não precisou de muito esforço: eu sou essa pessoa.


Cheguei confiante, com as vagas confirmadas na cabeça. Fui bem‑recebida, atendida por um supervisor atencioso. “As vagas daqui acabaram, mas tem outro departamento com três oportunidades”, disse ele, me encaminhando para um colega. Ele me apresentou com entusiasmo: “Ela se encaixa perfeitamente no que você precisa. Ainda tem as 3 vagas, né?”


O segundo supervisor me olhou. Dois segundos. Um olhar de scanner. 

E a resposta: “Nossa, que pena. Acabei de preencher.”


Não foi o currículo. Não foi a disponibilidade. Não foram os 35 anos em vendas. Foi a idade. Lida em dois segundos num único olhar. Saí de lá com o peso que milhares carregam todos os dias: inútil, descartada, invisível.


O Viés de Idade Que o Mercado Não Consegue Ler


O que aconteceu comigo não é exceção: é viés de mercado real. 

Em 2024, o Brasil abriu quase 1,7 milhão de postos de trabalho, um crescimento de 16,5% em relação a 2023. Mas, desse total, cerca de 90% foram ocupados por jovens de até 24 anos. Já entre os brasileiros com mais de 50, o cenário foi oposto: quase 160 mil postos foram fechados.


Pesquisas mostram que profissionais 50+ representam mais de 22% da força de trabalho,  saúde e longevidade novas, mas apenas 5,6% das empresas dizem contratar nessa proporção. No Brasil, 41% dos profissionais afirmam já ter sofrido etarismo ao longo da carreira, índice acima da média global (36%) e da América Latina (35%).


Esse cenário revela um mercado que valoriza o novo, mas ainda não sabe enxergar o que vem de décadas de experiência, senso‑comum, resiliência e capacidade de lidar com crises. O etarismo pode ser silencioso, mas é concreto: ele fecha portas, desmonta a autoestima e, em muitos casos, manda para a rua quem mais precisava de estabilidade.


O Que as Empresas Precisam Rever


Muitas empresas enxergam profissionais 50+ apenas como “custo mais caro” ou “menos adaptáveis à tecnologia”.

 Mas os dados mostram exatamente o contrário: essa faixa etária tende a ter menor rotatividade,  maior comprometimento e um histórico de resultados provado.


  • Produtividade e longevidade

 A população brasileira está mais longeva; o número de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou nos últimos 20 anos, passando de 15,2 milhões para 33 milhões entre 2000 e 2023. A expectativa de vida subiu de 71 para 76 anos, e as empresas continuam tratando a produtividade como algo que vence com a idade.


  • Perda de competitividade.

Ignorar esse grupo é como fechar um olho no palco, onde o público está envelhecendo. O país precisa de quem sabe vender, liderar, negociar, resolver conflitos e formar lideranças — e isso não nasce aos 25.


É hora de os líderes perguntar:

  • “Quem aqui está sofrendo etarismo silencioso em nossos processos?”
  • “Que habilidades estão sendo ignoradas por causa de um olhar de dois segundos?”
  • “Como a tecnologia pode ser aliada, e não muro, para quem já tem tanto a oferecer?”


E é aí que entra a responsabilidade dupla: do empregador em repensar seus vieses, e do profissional em não se acomodar.


O Luk 50+ Que Também Precisa Evoluir


O cenário não é só cruel com quem procura emprego: é também convidativo para quem decide se reinventar. O mesmo estudo que mostra crescimento de 13,4% na taxa de desemprego geral em anos anteriores ressalta que, mesmo com isso, a participação da população acima de 50 na força de trabalho vem subindo cerca de 0,5 ponto percentual por ano.


Isso significa que há mais pessoas dispostas a trabalhar, mas muitas ainda não olham para a aprendizagem diária como um compromisso. O erro não está em ter 50, 55 ou 60 anos; está em continuar com a mesma mentalidade de 2010 quando o mercado opera em 2025.


Para quem busca se manter competitivo, é preciso:

  • Abraçar a tecnologia como parte do dia a dia: aprender a usar ferramentas digitais, plataformas de comunicação, CRM, automação básica, redes sociais profissionais.
  • Criar um hábito de aprendizado contínuo:  vídeo‑aulas, podcasts, cursos rápidos, grupos de networking online. Não é sobre “ficar moderninho”; é sobre manter a fluência no idioma do mercado.
  • Redefinir o próprio discurso de “experiente” para “versátil”: “trabalhei com vendas por 35 anos, mas hoje sei vender 100% digital, com dados e conteúdo”.


As empresas que querem sobreviver ao futuro não podem escolher entre jovens e maduros; precisam aprender a **misturar os dois**. E os profissionais 50+ que querem sobreviver ao mercado precisam entender que a idade não é um defeito — é um diferencial, mas só vale se vier acompanhado de humildade para aprender.


Mr7 Talentos: Um Encontro Entre Experiência e Tecnologia


Foi por isso que criei o Mr7 Talentos: uma plataforma que conecta profissionais 50+ a empresas que entendem que experiência não tem prazo de validade — e que essa experiência precisa se somar ao uso inteligente da tecnologia. Aqui, o olhar não é de scanner de idade, mas de reconhecimento de valor.


Enquanto o mercado escolhe descartar, nós escolhemos reencontrar: talentos que sabem vender, liderar, negociar, mas que estão dispostos a aprender, se atualizar, se adaptar. Porque, no fim, o que não tem prazo de validade não é só a experiência — é a capacidade de começar de novo.


Você já viveu ou testemunhou esse tipo de etarismo? E, profissionais 50+, que passo você está dando hoje para se atualizar em tecnologia e habilidades digitais? Compartilhe nos comentários. Essa conversa precisa acontecer, e ela pode mudar como empresas e profissionais enxergam o futuro do trabalho.  


E para quem quiser sair da invisibilidade e entrar em um ambiente que valoriza quem sabe, mas também quer aprender, o convite está aberto: venha ser parte do Mr7 Talentos.


Obrigada por ler.

Até a próxima!

Abraços: Mira Rammos

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Fontes:

[1] Envelhecimento da população expõe etarismo no mercado de ... https://tribunademinas.com.br/noticias/economia/15-06-2025/envelhecimento-mercado-de-trabalho.html

[2] Etarismo no mercado de trabalho: um obstáculo a ser superado https://beneficios.ifood.com.br/acrescenta/artigos/etarismo-mercado-de-trabalho

[3] Etarismo no trabalho atinge 41% dos brasileiros, acima da média ... https://www.contabeis.com.br/artigos/71440/etarismo-no-trabalho-atinge-41-dos-brasileiros-acima-da-media-global/

[4] Etarismo atinge 41% dos profissionais no Brasil, aponta pesquisa https://diariodocomercio.com.br/negocios/etarismo-atinge-41-profissionais-brasil-aponta-pesquisa/

[5] [PDF] Workers age 50 and over in the Brazilian labor market https://repositorio.usp.br/directbitstream/5194b604-1a6e-450f-b39b-3f7eeeb6c27d/2954415.pdf

[6] Desemprego entre pessoas com mais de 50 anos é menor ... https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/desemprego-entre-pessoas-com-mais-de-50-anos-e-menor-que-a-media-mostra-estudo/

[7] Desemprego assombra mais jovens e geração acima de ... https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/desemprego-assombra-mais-jovens-e-geracao-acima-de-50-anos-diz-estudo/

[8] Taxa média de desemprego fica em 5,6% em 2025, o menor ... - G1 https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/30/taxa-media-de-desemprego-fica-em-134percent-em-2025-diz-ibge.ghtml

[9] Workers age 50 and over in the Brazilian labor market https://revistas.usp.br/rege/article/view/158088

[10] The challenges of ageism in Brazil - PMC https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4577237/


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